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Rock and Roll, sonhos e desilusão – Parte 2

  • autistaaos54
  • 10 de fev.
  • 4 min de leitura

Este texto da parte dois foi o que deu a ideia de escrever sobre esse tema – sonhos e desilusões relacionados ao Rock and Roll. Mas aí eu comecei a falar das minhas aventuras na tentativa de ser um baterista e resolvi desenvolver aquela ideia, deixando essa para uma segunda parte.

A ideia aqui gira em torno de letras de músicas de três das bandas que eu gosto muito de ouvir: Kiss, Queen e Iron Maiden. Uma de cada, na verdade.  Algumas partes dessas músicas específicas são lembretes de como eu deixei as oportunidades passarem por mim e não as aproveitei, por não dar conta de enfrentar os desafios quando esses se apresentavam a mim.

Vamos começar por aquela que tem somente três versos na música a serem citados, mas esses versos resumem bem o que foi a minha vida, baseada em sonhos e desilusões. “I Want You” (Eu quero você), do Kiss, está no álbum de 1976, Rock and Roll Over. Nestes versos, Paul Stanley, o compositor, escreveu: You can live in a dream and you life will pass you by / Every day that you hesitate / you never changing the hands of fate... (Você pode viver em um sonho e a sua vida passará por você / Cada dia que você hesita / nunca mudará as mãos do destino...) E o que eu fiz todo esse tempo? Hesitei em enfrentar os desafios que se apresentavam para mim, a vida passou por mim e eu não mudei o meu destino, que me permitiria, naquela época, ter me tornado um baterista.

A segunda música é “Spread Your Wings” (Abra suas asas), do Queen, que é parte do álbum News of the World de 1977. Nesta letra, John Deacon, o compositor, escreve:

Sammy was low, just watching the show / Over and over again / Knew it was time, he'd made up his mind / To leave his dead life behind / His boss said to him, "Boy, you'd better begin / To get those crazy notions right out of your head / Sammy, who do you think that you are? / You should've been sweeping up the Emerald Bar" (Sammy estava triste, assistindo ao show / repetidas vezes / sabia que era tempo de fazer sua cabeça / e deixar sua vida acabada para trás / Seu chefe disse a ele: garoto é melhor começar / a tirar essas ideias malucas de sua cabeça / Sammy, quem você pensa que é? / Você deveria estar varrendo o Bar Esmeralda)

Em outra parte, mais a frente, o chefe dele fala:

“His boss said to him, "Now listen, boy, you're always dreaming / You've got no real ambition, you won't get very far / Sammy boy, don't you know who you are? /Why can't you be happy at the Emerald Bar?" (Seu chefe disse a ele: agora escute, garoto, você está sempre sonhando / você não tem uma ambição real, você não irá muito longe / Sammy, garoto, você não sabe quem é? / Por que não pode se sentir feliz lá no Bar Esmeralda?) Tirando a rispidez das palavras usadas nos versos, eu fui o Sammy a minha vida toda, sempre sonhando, mas alguém me dizia para tirar aquelas ideias malucas da cabeça, que eu deveria estar fazendo algo mais simples, como varrer o Bar Esmeralda. Isso tudo me fazendo acreditar que eu  era alguém que não tinha ambições, que eu não chegaria longe e que eu deveria estar feliz ficando no Bar Esmeralda. O Bar Esmeralda, para mim, pelo contexto da música, simboliza um lugar de sonhadores.

E quem seria o meu chefe? O meu subconsciente, o meu pensamento rígido, comportamentos e crenças que eu fui deixando cristalizar na minha mente e que se transformaram em obstáculos intransponíveis para mim, pois em vez de lutar contra esses comportamentos e crenças, eu fiquei parado, sonhando no Bar Esmeralda. Era, realmente, mais simples.

E então, vem o refrão da música “Wasted Years” (Anos Desperdiçados), do Iron Maiden, que está no álbum Somewhere in Time de 1986. No refrão dessa música, Adrian Smith, o compositor, escreve:

“So understand / Don't waste your time always searching for those wasted Years/Face up, make your stand / Realize you're living in the golden Years” (Então entenda / não desperdice seu tempo sempre procurando por aqueles anos desperdiçados / Encare ‘a situação’ e tome uma atitude / E descubra que você está vivendo nos anos dourados.)

Esse refrão, para mim, simboliza a descoberta de que, realmente, não vale a pena lamentar por todos aqueles anos desperdiçados. Hoje, depois de descobrir que eu faço parte do espectro autista, todas aquelas dificuldades que enfrentei, assim como meus comportamentos passaram a fazer sentido. Eu não conseguiria fazer diferente sozinho e as pessoas a minha volta, meus pais e meus irmãos, não tinham noção alguma de que havia algo errado comigo. Eu era, apenas, mais lento que a maioria dos garotos para aprender e assimilar as coisas, mas daí a cogitarem a possibilidade de que eu fosse autista! De onde tirariam essa conclusão?

Sabendo agora de tudo isso, conhecendo as minhas limitações e o tempo mais lento de aprendizado, posso tentar descobrir maneiras diferentes para fazer as coisas em um tempo diferente e realmente viver meus anos dourados.

LUFA

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