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Rock and Roll, sonhos e desilusão – Parte 1

  • autistaaos54
  • 6 de fev.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 7 de fev.

Desde pequeno, sempre gostei de ouvir Rock and Roll, meu ídolo de criança e começo da adolescência era o Elvis Presley, sempre que passava algum show ou filme dele na TV, eu me sentava para assistir e até ficava imitando os passos dele no palco. Ouvia, também, The Beatles, Rita Lee, Raul Seixas. Aí chegou o ano de 1983, a primeira vez que o Kiss veio ao Brasil. Pronto! Virei a chave completamente, meu negócio agora era o Hard Rock dos anos 1980.  Uma música do Kiss virou completamente a minha cabeça, era “I Love it Loud”, a música escolhida pelas rádios para fazer propaganda dos shows deles no Brasil. Imediatamente, arrumei um par de baquetas e comecei a bater no ar, imaginando estar tocando uma bateria de verdade. Além deles, passei a ouvir também: Queen, Scorpions, Iron Maiden, Whitesnake e alguma coisa dos clássicos Led Zeppelin e Black Sabbath também. Mas a minha grande paixão era mesmo o Kiss e aquela batida poderosa do baterista daquela época, Eric Carr. Todos os dias eu colocava uma cadeira no meio da sala onde ficava o som, descia a agulha sobre o disco, aumentava o volume e começava a sonhar, imaginando que estava tocando aquela bateria. O pessoal de casa sofria, pois era um disco bem pesado da banda o do show daquele ano no Brasil. Imediatamente, pedi à minha mãe que me colocasse em uma aula de bateria e, não demorou muito, pedi uma bateria de presente. Tive os dois desejos atendidos, para mais desespero do pessoal de casa. Gravei uma fita com as músicas que queira tocar, gravei o solo de bateria do primeiro baterista da banda, o Peter Criss, e levei para o meu professor. “Quero aprender a tocar essas músicas”, falei animado. E ele: “Tá certo, nós vamos chegar aí, mas vamos com calma”, e me colocou para fazer exercícios repetitivos de ritmo e velocidade. Achei aquilo muito entediante; para mim, eu já chegaria e começaria aprendendo como tocar aquelas músicas. Não tinha a mínima ideia de que, para chegar naquele nível de perfeição, precisaria anos de estudo e prática daqueles exercícios chatos. Tentei praticar na bateria que compraram para mim por algum tempo, mas comecei a experimentar dificuldades para repetir alguns daqueles exercícios sozinho, fiquei inseguro, chateado e, em seguida, desanimado de tentar me tornar um baterista. Dali a pouco tempo, abandonei a aula de bateria e, pouco depois, parei de praticar em casa. Pelo menos, o pessoal ficou feliz com isso. Antes de desistir de vez, fiz outras duas tentativas de estudar. Na última delas, tenho a lembrança de estar em uma sala com mais dois ou três adolescentes, uma borrachinha de estudo na frente de cada um e o professor mostrando para a gente o que fazer. Olhava para o lado e via os outros alunos conseguindo fazer o que era pedido, mas eu, tinha dificuldade de realizar os exercícios. Perdia o ritmo, não conseguia repetir a sequência de exercícios e muito menos imprimir velocidade. Ficava frustrado, mas não fazia nem ideia dos meus problemas na cabeça deixados pela meningite bacteriana aos seis meses de vida. Acredito que entrei na escola do meio para o final do ano, pois os professores estavam selecionando músicas para os alunos tocarem. Eu não lembro em qual música iria tocar, mas lembro que já comecei a imaginar mil coisas, mil viradas, até que, no dia de ensaiar, o professor me pediu para sentar e tocar uma sequência simples, nada a ver com o que eu havia vislumbrado na minha imaginação. Comecei a tocar e o professor falava: bate com mais força, não vai sair som assim. E eu tentava bater com mais força, mas nada do som sair do jeito que ele queria. Mais forte que isso, ele repetia, senão eles não vão te ouvir. Eu sei que, apesar dessa minha dificuldade, eles fizeram o panfleto das apresentações com o meu nome impresso nele e distribuíram pelas outras escolas de música. Uma das minhas irmãs, que trabalhava em uma escola de técnica vocal, teve acesso a esse panfleto e me ligou em seguida que viu o meu nome. Lembro que estava no intervalo das aulas da faculdade que estava fazendo, quando o telefone tocou. Ela foi logo falando: Nando, que demais, você vai tocar bateria na apresentação da escola. Vi seu nome no panfleto! E eu desanimado: Vou não, eu desisti. Não tenho condições de fazer isso. Não consegui tocar direito. Conversamos mais um pouco e desligamos.

Era o meu fim como baterista.

Aquilo se tornou uma constante na minha vida: ficava entusiasmado (fogo na palha), começava a praticar, ou a estudar (a palha estava queimando ainda), as dificuldades começavam a parecer (o fogo começava a diminuir), até que se apagava por completo - então eu desistia de estudar, ou praticar aquele instrumento.

LUFA

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