Relacionamento com autista adulto
- autistaaos54
- 27 de fev.
- 2 min de leitura
É triste você tentar se envolver emocionalmente com outra pessoa e descobrir que é uma tarefa quase impossível. Você fala para ela que sabe que tem essa dificuldade, mas que vai fazer de tudo para agir diferente, que vai deixar as coisas acontecerem, mas quando percebe, já está fazendo uma porção de coisas por impulso e, na maioria das vezes, coisas erradas e/ou que podem levar por terra tudo aquilo que você disse que ia fazer diferente.
Então vem aquela ansiedade e a desconfiança – será que eu vou conseguir mesmo? A pessoa que está com o autista nesse relacionamento tem que relevar algumas coisas de início, afinal, por anos, o autista adulto passou fazendo coisas no impulso e, muitas vezes, acabou se prejudicando e/ou prejudicando outras pessoas. Mas no caso de um relacionamento, o esforço por parte do autista deve ser redobrado, afinal, se ele vai estar sempre na companhia daquela pessoa, se fizer as coisas no impulso, corre o risco de prejudicar a si e a(o) seu/sua companheiro(a) com mais frequência, colocando em risco a estabilidade do relacionamento. Logicamente, deve haver compreensão e ajuda da outra parte, de modo que sempre que o autista estiver querendo fazer algo por impulso, chamar a atenção dele e mostrar todas as possibilidades do que pode acontecer, enfim, ajudá-lo a enxergar melhor a situação e o que ele está querendo fazer. Importante também: se a pessoa que é parte desse casal não se sentir apta para lhe chamar a atenção, procurar ajuda de alguém que possa fazer.
Um comportamento, realmente, difícil por parte do(a) companheiro(a) do autista adulto é lembrar que ele só parece uma pessoa normal, mas o tempo dele para assimilar as coisas é diferente, o tempo de reação pode ser diferente, a reação dele a determinada situação pode ser completamente diferente. Mas o que acontece, na maioria das vezes, é que, no calor do conflito que está sendo discutido, a “pessoa normal” do casal cobra do autista atitudes, reações e comportamentos que ele não tem como demonstrar no tempo normal da maioria das pessoas e ai é obrigado a ouvir “calado” uma porção de adjetivos chulos a seu respeito pronunciados pela pessoa; então fica pensando que, talvez, ele seja aquilo tudo, porque, pensa bem, além de, realmente, fazer uma porção de coisas por impulso, ele, também, tem baixa autoestima.
A rigidez de pensamento, também, pode ser um problema, não que sejamos inflexíveis. Falando por mim, às vezes, coloco uma ideia na cabeça, uma percepção errada de alguma situação e aquilo fica martelando ali o tempo todo. As pessoas tentam me explicar que não é bem assim do jeito que estou pensando, mas aquela ideia fica engessada ali.
São várias coisinhas que vão acontecendo no dia a dia de um relacionamento com um autista adulto. Este texto, corre o risco de ser atualizado quase todos os dias com esses detalhes que eu posso ir lembrando, ou mesmo por vocês se forem fazendo comentários de outras coisas que acontecem.
Enfim, que este texto desperte a curiosidade em quem leu, para que comece a reparar nesses pequenos detalhes de um relacionamento com um autista adulto.
LUFA

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