O hiperfoco e seu lado ruim.
- autistaaos54
- 28 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: 29 de jan.
Com certeza, é muito importante que a gente faça as coisas com atenção para que sejam bem feitas. Essa atenção, em uma pessoa autista, porém, tem dois lados: o bom, de fazer as coisas com atenção; e o ruim, o de se envolver tanto naquela tarefa que acaba sendo prejudicial. É o hiperfoco.
O meu hiperfoco preferido é montar quebra-cabeças. Se você me entregar um e falar: pode ficar por conta de o montar; pode esquecer, porque eu vou esquecer do tempo e ficar debruçado sobre ele enquanto eu tiver disposição. Mas do mesmo jeito que eu esqueço do tempo com um quebra-cabeça, também acabo me envolvendo demais com as outras tarefas que me proponho a fazer. Por exemplo:
Montei este blog para começar a escrever as minhas divagações a respeito que como vejo as coisas ao meu redor e como enfrento as situações. Estou bastante surpreso por conseguir encontrar assuntos com muita facilidade para poder produzir os textos. Enfim... além de escrever, também configurei o site do jeito como ele aparece para vocês que vão lá ler os textos. De certa forma, tudo muito tranquilo, pois é tudo muito intuitivo. Mas teve uma situação de configuração que enfrentei e estava bem difícil de resolver então, mergulhei naquilo de cabeça, estava decidido a resolver aquele problema – eu mexia daqui, mexia dali, não encontrava o que precisava, voltava para o mesmo lugar, tentava entender o que estava escrito no texto da ajuda e, assim, as horas foram passando e eu ali concentrado naquela tarefa. Até que aquela mesma pessoa que está morando em meus pensamentos desde os primeiros textos deste blog, e muito antes de ele ser criado, me mandou mensagem pedindo que eu desse um pouco de atenção a ela; eu disse que ainda não havia conseguido resolver o problema e fiquei respondendo meio seco, pois, naquela hora, eu não estava evoluindo em nada e, sim, fiquei chateado por ela tentar desviar a minha atenção do problema. Eu parei, um pouco irritado, pois é próprio do comportamento de pessoas que fazem parte do espectro autista terem o limiar baixo para frustração, mas ainda assim, são rotulados de pessoas nervosas, como se isso fosse parte da sua personalidade. Conversei um pouco com ela, respondendo meio contrariado, ela percebeu, a conversa acabou rápido. Então, não tendo conversado direito e nem conseguido solucionado o tal problema, resolvi me distrair com um quebra cabeça de 1.500 peças que estava montando. Depois de algum tempo, mais calmo, voltei a dar atenção ao problema. Dessa vez, consegui.
Então, até mesmo essa percepção de fazer uma pausa é difícil para mim. Mas essa pausa pode ser benéfica tanto para mim, quanto para quem convive comigo e, também, para eu conseguir resolver o problema que estou tentando resolver.
Mas o tal do hiperfoco acaba sendo mais forte.
Preciso tentar mudar isso em mim. Será que consigo?
Talvez. Com a ajuda das pessoas, pode ser mais fácil, pois a convivência com um autista não é das mais fáceis e ele ainda corre o risco de ser acusado de agressões verbais.
Uma coisa é você falar: nossa, fulano tem o meu respeito, ele passa um sufoco cuidando daquele filho (ou quem quer que seja) autista. Mas outra coisa completamente diferente, é quando essa situação acontece no seu quintal. Ai as pessoas tendem a esquecer que aquele membro da família tem uma limitação emocional e prática, tem o limiar baixo para frustração, faz e fala as coisas no impulso.
Será que essa pessoa que me acompanha, ainda que virtualmente, terá paciência e disposição para isso? Ou vou acabar meus dias nesta existência realmente sozinho?
Quero acreditar que ela tenha ambas. Eu vou ajudá-la muito nisso.
Pois, uma coisa que não quero é ser acusado de agredir aos outros verbalmente.
LUFA

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