Dilemas
- autistaaos54
- 3 de fev.
- 4 min de leitura
Então, estou eu aqui a um mês de completar 57 anos. Me descobri como sendo parte do espectro autista aos 54. Muitas coisas começaram a fazer sentido a partir do momento dessa descoberta: atitudes, comportamentos que eu tive a minha vida inteira agora passaram a fazer sentido.
Agora me encontro em uma fase decisiva da minha vida. Não que não tiveram outras, sim, mas essas outras já estão no passado, não tem mais o que fazer; se tomei alguma decisão, é por isso que estou aqui, se não fiz na hora, agora é tarde, essa porta já está fechada e sabemos que não tem como abri-la agora.
Os problemas agora são de ordem financeira e emocional. Essa é a fase decisiva na minha vida.
O problema financeiro surgiu porque não soube administrar direito o bom salário que ganho, a ponto de todo ele estar comprometido com despesas fixas da casa e cartões de tudo quanto é tipo para pagar. Junte a isso um relacionamento de 25 anos que passou a não dar mais certo porque, além dessas questões financeiras, ter o fato de eu, realmente, não querer mais continuar casado. E não é questão de o amor ter acabado, na verdade, acredito que ele nunca esteve ali.
E o que é o amor para você, caro leitor? Fiz essa pergunta em outro texto publicado neste blog, mas ninguém se atreveu a respondê-la. Essa falta de envolvimento emocional é parte marcante no espectro autista. Pode ser amenizada, ou mudada? Espero que sim. Eu estava procurando um direcionamento quando fiz a pergunta, mas não fui feliz na minha tentativa.
Então, aí vem o problema emocional, ou sentimental. Eu realmente gostava da minha ex-esposa, conheço ela desde os tempos de turma de rua, 10, 11 ou 12 anos. Nos reencontramos 17 anos depois e resolvemos nos casar [...] pulando para o momento presente, apareceu esse grande espaço vazio, nem sei se tão grande assim, onde deveria estar o amor. Eu nunca me envolvi emocionalmente com nenhuma das minhas namoradas, e olha que eu tive muitas, não porque eu era um galã, ou galinha, eu, simplesmente, me afastava quando percebia que estava ficando dependente demais. Mas aí eu reencontrei essa que hoje é minha ex-esposa e senti que, com ela, eu poderia me desarmar e deixar as coisas acontecerem. Até achei que estava deixando isso acontecer, mas depois percebi, com base no comportamento autista, que aquele relacionamento era, para mim, um porto seguro.
Eis os dilemas:
O financeiro: hoje, minhas duas irmãs estão me ajudando a equilibrar a situação financeira, pagando os cartões, cancelando os cartões, diminuindo as despesas, controlando os gastos, para poder recuperar o poder de compra do salário e fazer a divisão dele com a minha ex-esposa e as duas filhas que tivemos. Então, durante uma conversa com aquela pessoa especial, falei que, muitas vezes, esbarrava na dificuldade da rigidez de pensamento para conseguir tomar uma decisão. Ela, sensata, me aconselhou: “Mas aí você torna sua vida difícil. Se você quer ajuda, precisa se permitir ser ajudado.” Concordei. Ainda se baseando na rigidez de pensamento, que eu sempre falo ser parte do espectro autista, ela emendou: “Então não adianta ninguém se matar por você, pois você acaba matando quem tenta te ajudar com essa teimosia.” Imediatamente, percebi que ela estava falando de nós e retruquei: “Entendi o que você quis dizer. Mas aí, eu vou abrir mão de tudo, não vou ter voz ativa em nada, pois tudo vou achar que estou sendo rígido demais e vou acabar cedendo.”
Percebem que a situação não é tão fácil assim?
Continuando o debate, ela disse: “Só se permita, não é tão difícil assim. Para de só enxergar dificuldades, não é abrir mão de tudo, você precisa confiar nas suas irmãs e aprender a ouvir sem debater tanto.”
Quanto a essa resposta dela, farei um comentário mais à frente.
Eu, tentando manter a minha posição com o pensamento rígido, falei: “Daqui a pouco, estou abrindo mão de tudo, todas as minhas decisões e, no final, não vou estar decidindo nada, só dizendo amém para o que me falam. Aí eu volto para aquela cadeira de rodas.” (a qual é parte de uma das imagens que fiz a meu respeito). Ela encerrou o debate falando: “Em primeiro lugar, para de falar em “tudo”. Nesse momento existe um problema que precisa ser resolvido, é cada dia matando um leão. Não queira matar a selva inteira em um dia só.”
Transferindo essas falas para o dilema emocional, ela está tentando me ajudar a mudar alguns comportamentos. Digo tentando porque são, pelo menos, uns 40 anos da minha vida repetindo o mesmo padrão, não é tarefa fácil. Mas espero que ela não desista, porque eu estou disposto a agir de maneira diferente para ajudá-la nessa tarefa. Falei com ela: Eu me dispus a mergulhar de cabeça nisso. Não sei o que vou encontrar, não sei como vou reagir, mas resolvi pegar aquele ditado como mantra – Está com medo? Vai com medo mesmo.
Voltando ao comentário dela: ela também está com uma grande dificuldade em relação a se permitir fazer algumas coisas que nunca fez, nada demais, nada absurdo. Ela me pede para deixar as coisas acontecerem, para não enxergar só dificuldades, mas ela mesma não está se permitindo experimentar as novidades.
No final, caros leitores, só quem tem aquela dificuldade sabe o quanto é difícil “deixar as coisas acontecerem.”
Então é isso. Vou ali na cozinha pegar um copo d’água.
LUFA

Vencer desafios nunca foi e nunca será fácil , a vida nos desafia todos os dias. lembrando de algo que aconteceu comigo em uma manhã de passeio na praia ,passei por um grande desafio ,a onda me pegou na areia e me puxou para dentro do mar naquele momento comecei a lutar contra a grande força das ondas ,e quanto mais eu tentava lutar para sair daquela situação ,mais eu bebia água e não conseguia sair . Então naquele momento tive que pensar rápido e deixar de usar a força e desespero para sair daquela situação ,então usei uma estratégia ,relaxar ao invés de usar os braços que por sinal estavam doloridos e cansados , relaxei ,fechei os olho…