Sons, ruídos ...e imagens
- autistaaos54
- 30 de jan.
- 3 min de leitura
(Tema sugerido por Mary Vieira – interior de SP)
Muito se fala da relação dos autistas com sons e ruídos e o tanto que eles podem nos incomodar. Eu tenho esse problema com alguns deles, que acabam sendo como um sino - daqueles que as pessoas usavam na escola para chamar a gente de volta para a sala -tocando alto bem ao lado do “martelo, da bigorna e do estribo”¹ lá dentro do ouvido.
Por exemplo: o ruído do motor dessas motos dos motoboys que andam pelas cidades a toda velocidade. Tudo bem, eles estão trabalhando, ganhando a vida honestamente, mas às vezes, eu chego a fechar os vidros e diminuir a velocidade para deixar que eles se distanciem do meu carro.
Tenho esse problema, também, em relação ao tom de voz das pessoas. Dependendo do timbre, ou da entonação que a pessoa usa para falar, isso me incomoda bastante. Se a pessoa usa um tom de voz para conversar normalmente, mas passa para um tom mais agudo quando está tentando defender o seu ponto de vista em uma discussão, isso vira o sininho lá dentro do ouvido; aí, se eu não posso sair do ambiente onde estou, seja dentro de casa, ou na recepção de algum consultório, eu fico apertando os tragos² para tentar diminuir o volume. Com relação às vozes, por exemplo, não consigo ouvir a Gal Costa cantando, só de lembrar dela cantando, quer dizer, para mim, gritando “meu nome é Gal”, me dá arrepio. Outra que não consigo ouvir falando é a Sandra Annenberg, não conseguiria conviver com ela no mesmo ambiente. O idioma francês é outro que não consigo ouvir por mais de 5 minutos, por isso, se o idioma original do filme é esse, prefiro vê-lo dublado.
Com relação aos estilos musicais, não suporto ouvir nem o jazz e nem o grunge. No caso do primeiro, meu QI musical é extremamente popular para ouvir algo tão rebuscado como o jazz, mas respeito demais os músicos, são talentosíssimos. Já no caso do grunge, é um som muito sujo para os meus ouvidos, que começam a doer depois de ouvir só uma música desse gênero. O Kiss, meu grupo de Rock preferido, lançou um disco nesse estilo em 1997, quando coloquei a primeira música e percebi o som sujo, já torci o nariz, pulei para as outras faixas e percebi a mesma coisa. Tirei o CD do aparelho e nunca mais ouvi.
Fico incomodado, também com algumas imagens e combinações de cores. Para aqueles que são de Belo Horizonte, talvez saibam do que vou falar: na comunidade do Morro do Papagaio, no trevo para o bairro Belvedere, tem uma pintura grande de um punho cerrado, o problema não é a imagem, mas as cores que escolheram para combinar o fundo da imagem com a do punho cerrado. O pior é que não dá para desviar o olhar na hora, pois a gente vê a pintura logo ao terminar de fazer a curva para chegar no sinal do trevo.
Quando estou jogando sinuca e acontece de uma bola vermelha, ou de uma rosa, parar perto da bola azul, aquilo também me incomoda bastante, a ponto de eu desistir da minha jogada para acerta a bola branca nelas para poder espalhá-las pela mesa.
Recentemente, no whatsapp, a minha filha mais nova colocou um desenho como foto do perfil, era um peixe, parecia um tubarão, e a imagem era pintada em dois ou três tons de azul sobrepostos. Para mim, ficou horrível. Como eu preciso mandar mensagens para ela com alguma frequência, pedi que ela trocasse a imagem, para que eu não tivesse que ficar olhando aquilo toda hora.
Então, é isso, esses são as minhas restrições a cerca desse tema.
Eu hein, que cara “esscchhtranho”
LUFA
1 estruturas do nosso ouvido interno;
2 nunca soube o nome dessa saliência que temos no ouvido externo, mas tive que recorrer à internet para poder falar dele. É essa cartilagem onde, às vezes, as pessoas colocam um piercing.

Amei o texto,muito bom,vc não conseguiria morar em SP,essas motos realmente são terríveis!